10 motivos para você se apaixonar pelo Slow Fashion

Você já ouviu falar em Slow Fashion? Gostaria de entender melhor as características e os princípios que definem e que norteiam a moda Slow? Então esse post é para você!


O termo "Slow Fashion" foi cunhado pela primeira vez pela consultora de moda e pesquisadora britânica Kate Fletcher em 2007 num artigo para o site The Ecologist. Kate pegou inspiração do movimento Slow Food – que valoriza a qualidade da alimentação e o prazer de comer – para defender a adoção de novos paradigmas pela indústria da moda.


Pensando nisso, listamos 10 pontos essenciais do Slow Fashion para você conhecer um pouco mais sobre esse movimento e o que ele representa para o cenário da moda mundial. Continue lendo:


Descubra 10 razões para aderir de vez ao Slow Fashion

Imagem: Acervo Vibra

1. Repense padrões de consumo


Uma das principais características do Slow Fashion é o questionamento dos nossos padrões de consumo. Isso é especialmente necessário quando levamos em conta a dinâmica do fast fashion – que tem como característica o ritmo acelerado de produção, com coleções chegando às araras das grandes lojas todas as semanas.


Com isso, somos incentivadas e incentivados a não só acompanhar e como também a seguir as últimas tendências, sem refletir se realmente precisamos de determinada peça, se ela combina com nosso estilo pessoal e até mesmo se vamos vesti-la mais de uma vez.


Ao ponderar sobre essas questões - e depois, ao considerar outros aspectos que envolvem a fabricação das roupas - poderemos fazer escolhas mais embasadas e, assim, consumir de forma mais consciente.


2. Descubra o seu estilo pessoal


Ao fazer uma reflexão sobre o que consumimos, precisamos pensar também na usabilidade de nossas peças. Ao fazer esse raciocínio, não há como não considerar nosso guarda-roupa como um todo: as peças conversam entre si? Elas nos representam da forma que nós desejamos?


Falando em guarda-roupa, um conceito que vem se difundindo nos últimos anos - e que tem tudo a ver como o Slow Fashion - é o do armário-cápsula, que prega que tenhamos menos peças em nosso guarda-roupa (numa média de 15 a 20 roupas, mais ou menos), e que essas peças sejam versáteis.


Percebendo tudo isso, passamos a entender que não é toda tendência que combina com a gente e com o nosso estilo – e está tudo bem. Dessa forma, além de compreender melhor o que funciona para cada um, passamos também a valorizar peças atemporais e que duram por um período maior. Isso nos leva ao próximo ponto.


3. Compre peças de qualidade que duram bastante


Um dos cernes do Slow Fashion é valorizar e defender a qualidade em relação à quantidade. Ou seja, se produz menos, numa escala consideravelmente inferior à do fast fashion, mas há um cuidado extremo em todos os processos de fabricação das roupas.


Desde a formulação do conceito de cada peça, passando pelas matérias-primas e pela modelagem, até os ajustes finais e a seleção das embalagens, tudo é pensado cuidadosamente de acordo com os princípios de sustentabilidade e ética, respeitando todos os envolvidos na realização das coleções.


Por isso, cada item é confeccionado de acordo com padrões bem altos de qualidade, o que garante uma durabilidade muito maior à peça se a comparamos com uma blusa de fast fashion, por exemplo. Comprar Slow Fashion é investir em longevidade e atemporalidade.

Imagem: Acervo Vibra

4. Entenda como a roupa chega até você


Outro princípio que norteia a moda Slow é o da transparência. Por isso, as marcas de Slow Fashion cultivam uma relação de confiança com seus clientes, deixando claro quais materiais utilizam, que recursos são empregados e quem compõe a mão-de-obra responsável pelas etapas de produção das peças.


Dessa forma, quem consome pode fazer uma decisão de compra mais informada, apoiando marcas e propostas que têm a ver com os valores e os ideais de cada indivíduo. Entender como a roupa chega até você também é uma forma de se conscientizar e de empoderar as pessoas inseridas no ciclo de produção do Slow Fashion.


Uma iniciativa que exemplifica perfeitamente esse ponto é a campanha #QuemFezMinhasRoupas, lançada pelo Fashion Revolution com o objetivo de promover uma conscientização maior sobre tudo o que envolve a fabricação daquilo que vestimos.


5. Faça sua parte para diminuir os impactos ambientais da indústria da moda


Como já mencionamos no post “O que o Slow Fashion e a Moda Eco Friendly tem a ver com o futuro do nosso planeta”, a indústria da moda está intrinsecamente ligada às iniciativas e às ações que fomentam o desenvolvimento sustentável no globo.


A produção têxtil mundial emprega uma quantidade massiva de recursos naturais, sendo responsável pela emissão de 8 a 10% dos gases de efeito estufa no planeta¹, porcentagem que é maior do que a soma das emissões provenientes das indústrias de aviação e de transporte marítimo.


Chegamos num ponto, em pleno século 21, em que não há mais como ignorar ou desconsiderar os impactos que a moda tem no meio-ambiente.Essa conexão é tão urgente que a ONU, inclusive, lançou a Aliança pela Moda Sustentável em março de 2019.


Assim, o Slow Fashion é fortemente pautado pela sustentabilidade, e as marcas que aderem à moda Slow têm se comprometido, cada vez mais, a buscar soluções que utilizam menos recursos naturais – ou, alternativamente, que exploram tais recursos de forma mais inteligente e menos danosa.


6. Compre peças feitas com materiais reutilizados (upcycling)


Uma das ações da moda Slow que visa a diminuição dos impactos ambientais é a reutilização de materiais. Essa prática se faz urgente quando entendemos o desperdício causado pela indústria da moda: só em 2013, 15 milhões de toneladas de resíduos têxteis foram gerados, de acordo com a EPA – Agência de Proteção Ambiental dos EUA².


Além disso, cerca de 500 milhões de dólares em valor de mercado são perdidos todos os anos por causa da pouca utilização de roupas e da falta de reciclagem³. Com esse cenário em mente, iniciativas como o Banco de Tecido – projeto que compra e vende sobras de tecido e tecidos parados – são essenciais.

Imagem: Acervo Vibra

7. Apoie marcas que promovem boas condições de trabalho


O fast fashion é rápido. Imediato. Por isso, precisa produzir mais em menos tempo, o que leva grandes multinacionais do varejo a deslocarem suas produções para países com legislações trabalhistas mais frouxas e com menos fiscalização – como Bangladesh, nação onde ocorreu, em 2013, o desabamento do edifício Rana Plaza, que matou mais de mil trabalhadoras e trabalhadores têxteis⁴.


Tendo esse contexto em mente, é necessário ressaltar que o Slow Fashion prega práticas opostas e tem na valorização da mão-de-obra uma de suas principais diretrizes: local de trabalho estruturado e sadio, jornada diária de acordo com o previsto por lei para cada categoria e, principalmente, respeito mútuo entre todas as pessoas da equipe.


8. Saiba que as pessoas que produzem as roupas recebem uma remuneração justa


Além de incentivar e promover boas condições de trabalho, o Slow Fashion compreende que as pessoas envolvidas no ciclo de produção das peças devem receber uma compensação financeira adequada e que possibilite um padrão de vida digno.


Assim, a remuneração justa também norteia as práticas das marcas de Slow Fashion, já que há o entendimento de que cada trabalhadora e trabalhador têxtil possui um conjunto de habilidades e de estudo essenciais para a confecção do produto.


9. Incentive a economia local


Além das questões éticas e ambientais envolvidas no Slow Fashion, outro ponto de extrema relevância na lógica da moda Slow é o apoio a criadores e criadoras nacionais. As marcas brasileiras de Slow Fashion engajam designers, modelistas, costureiras(os), produtores(as) e artistas locais, dando oportunidades e renda concreta para as trabalhadoras e os trabalhadores.


Portanto, ao consumir – de forma consciente – peças produzidas a partir dos preceitos Slow, você sabe que está incentivando iniciativas brasileiras que, por sua vez, empregam pessoas e compram de fornecedores, fazendo a economia interna girar.


10. Faça parte de um movimento pelo bem


Desde que Kate Fletcher cunhou a expressão “Slow Fashion” há mais de 10 anos, a moda Slow vem ganhando cada vez mais adeptos ao redor do globo. Ao mobilizar questões ambientais, sociais e éticas – como mostramos aqui – o Slow Fashion, hoje em dia, é um nicho de mercado em expansão e um movimento.


Apoiar as marcas de Slow Fashion, buscar saber sobre os processos de produção das roupas, comprar de forma consciente e com transparência são atitudes que impactam no coletivo e inspiram outras pessoas a seguir esses exemplos. O Slow Fashion veio para ficar.


Com isso finalizamos nossa lista de 10 motivos para se apaixonar pelo Slow Fashion. Ficou com alguma dúvida? Conta pra gente nos comentários abaixo e não se esqueça de compartilhar esse post com aquela amiga ou aquele amigo que quer saber mais sobre a moda Slow!


Referências:


¹ https://unfashionalliance.org


² https://www.npr.org/2016/04/08/473513620/what-happens-when-fashion-becomes-fast-disposable-and-cheap


³ https://unfashionalliance.org


https://www.dw.com/pt-br/hrw-denuncia-más-condições-de-trabalho-no-setor-têxtil-de-bangladesh/a-18398752-0


Fontes de Pesquisa:

https://theecologist.org/2007/jun/01/slow-fashion

https://edgexpo.com/fashion-industry-waste-statistics/

https://www.pimacott.com/blog/four-reasons-to-embrace-slow-fashion

https://www.vistavibra.com.br/post/slow-fashion-moda-eco-friendly-futuro-do-planeta

https://www.valor.com.br/empresas/6172305/industria-da-moda-polui-mais-que-navios-e-avioes

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